ASSOCIAÇÃO ESPORTIVA ELETROVAPO
🔵⚪ Azul e Branco · Campeão Fluminense 1964 · Taça Brasil 1965 · Niterói/RJ
Ficha Técnica
História e Fundação: O Clube Nascido nos Estaleiros
A Associação Esportiva Eletrovapo (simplesmente Eletrovapo) foi fundada em 8 de dezembro de 1957 na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro. O clube nasceu entre os funcionários da Companhia Eletrovapo de Serviços Marítimos, empresa de origem portuguesa especializada em navegação e serviços portuários. Seu nome combina "eletro" (eletricidade) com "vapo" (vapor), representando a modernização dos serviços marítimos no Brasil de meados do século XX. Assim como outros clubes operários fluminenses — tais como o Esporte Clube Costeira, o Manufatora Atlético Clube e o Metalúrgico de São Gonçalo —, o Eletrovapo era um típico clube de empresa, mantido pela companhia que lhe deu o nome, que empregava os atletas em suas dependências.
As cores oficiais do clube eram o azul e o branco, o que lhe rendeu os apelidos de "Alvicelestes" e "Azulão". O clube era carinhosamente chamado de "Vapão" e "Tiva de Niterói" pelos torcedores, os "eletrovapistas". Seu mascote era uma locomotiva, em alusão à força do vapor. O estádio onde mandava seus jogos era o Caio Martins (Estádio Byron), com capacidade para 12.000 espectadores, localizado no bairro de Icaraí, em Niterói.
Niterói e a Companhia Eletrovapo de Serviços Marítimos
Niterói, a "Cidade Sorriso", foi a capital do antigo estado do Rio de Janeiro de 1834 a 1894 e novamente de 1903 a 1975. Situada à margem oriental da Baía de Guanabara, a cidade sempre teve forte vocação marítima e portuária, abrigando estaleiros, terminais e empresas de navegação. A Companhia Eletrovapo de Serviços Marítimos, fundada em 1942 com sede na Praça Mauá (Rio de Janeiro) e estaleiro em Niterói, operava linhas de cabotagem e serviços portuários. Seus funcionários — muitos deles imigrantes portugueses — encontraram no futebol uma forma de lazer e fortalecimento dos laços comunitários.
Conforme reportagem do jornal "O Globo" de 18 de julho de 1965, "todos os atletas trabalham na companhia, em diferentes serviços, como guindaste, torno, cabina, caldeira, almoxarifado, solda". Os jogadores não eram operários do grêmio fabril escolhidos para atuar, mas sim atletas contratados para o time e lotados no estaleiro — um modelo de semiprofissionalismo que já havia sido superado na vizinha Guanabara desde os anos 1930, mas que ainda persistia no antigo estado do Rio.
Elenco Histórico: Os Heróis de 1964–1965
A pesquisa histórica, baseada na reportagem de "O Globo" (18/07/1965), no blog Verminosos por Futebol e no Futebol de Goyaz, permite reconstituir com riqueza de detalhes o elenco que defendeu o Eletrovapo em sua campanha mais gloriosa. A maioria dos atletas veio da Portuguesa da Ilha do Governador e do Canto do Rio FC. O treinador era Antônio Morais, que se dividia entre o Eletrovapo e a Portuguesa da Ilha, onde era responsável pelo departamento técnico.
| Posição | Jogador | Observações |
|---|---|---|
| Goleiro | João Reis | Titular na campanha do título fluminense de 1964 |
| Goleiro | Antoninho | Arrancou elogios do lendário Lev Yashin em excursão à URSS |
| Goleiro | Ney (goleiro) | Ex-Botafogo, reforço para a Taça Brasil |
| Zagueiro | Estêvão | Titular absoluto da defesa eletrovapista |
| Zagueiro | Juvaldo | Dupla de zaga com Estêvão |
| Lateral | Uberaba | Polivalente, também zagueiro |
| Meia | Antoninho (meia) | Armador titular, homônimo do goleiro |
| Meia | Barbosinha | Vindo da Portuguesa da Ilha |
| Meia | Leco | Meia de ligação ofensiva |
| Meia | Guilherme | Mais experiente; gol do título de 1964; América-RJ e Portuguesa Santista |
| Meia | Fernando Pinto | Reforço Taça Brasil 1965 |
| Meia | Bina | Reforço Taça Brasil 1965 |
| Atacante | Amaro | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Orlando | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Ivo | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Julinho | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Neyr | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Deheracy | Vindo do Canto do Rio FC |
| Atacante | Ity | Ex-Flamengo |
| Atacante | Ney (linha) | Ex-Botafogo |
| Atacante | Ronaldo | Reforço Taça Brasil 1965 |
Recordes e Estatísticas Históricas
O Eletrovapo deixou marcas estatísticas notáveis:
| Recorde / Estatística | Detalhe |
|---|---|
| Invencibilidade na Taça Brasil 1965 | Um dos 2 únicos clubes invictos, ao lado do Santos de Pelé (campeão) |
| Eliminação no cara ou coroa | Único clube da história da Taça Brasil eliminado por sorteio |
| 18º lugar entre 22 clubes | Classificação final na Taça Brasil de 1965 |
| 3 títulos do Campeonato Niteroiense | 1963, 1964, 1966 – maior campeão da década de 1960 |
| 1 título do Campeonato Fluminense | 1964 (Supercampeonato sobre o Americano) |
| 2 vice-campeonatos fluminenses | 1967 e 1969 |
| Maior goleada aplicada | Eletrovapo 5×0 Metalúrgico (São Gonçalo) – Niteroiense 1964 |
| Maior goleada sofrida | Americano 4×1 Eletrovapo – Fluminense 1967 |
| Total de jogos oficiais | Aprox. 250 partidas (1957–1977) |
| Anos de atividade | 20 anos (1957–1977) |
| Participações nacionais | 1 (Taça Brasil de 1965) |
| Presidentes | Evaristo Paes da Fonseca (até 1965) · João Baptista de Mello (interino) |
Sala de Troféus do Eletrovapo
O Eletrovapo construiu uma trajetória meteórica no futebol fluminense, conquistando o título estadual de 1964 e participando da Taça Brasil de 1965, onde terminou invicto.
A Conquista Histórica: Campeão Fluminense de 1964
O ano de 1964 representa o ponto mais alto da trajetória do Eletrovapo. Após profissionalizar-se em 1963, o clube inscreveu-se na Primeira Zona de Profissionais da Federação Fluminense de Desportos (FFD). Sagrou-se campeão da Primeira Zona, tendo o Esporte Clube Metalúrgico como vice, e também conquistou o Campeonato Niteroiense daquele ano.
Como a Segunda Zona (Campos) teve o Americano FC como campeão, a FFD organizou um "Supercampeonato". O Eletrovapo venceu por 1 a 0 no Estádio Assad Abdala (Barreto, Niterói) e empatou por 1 a 1 no Godofredo Cruz (Campos). O gol do título foi marcado por Guilherme.
A Taça Brasil de 1965: Invicto e Eliminado no Cara ou Coroa
A participação do Eletrovapo na Taça Brasil de 1965 é um dos episódios mais dramáticos da história do futebol nacional. Enfrentou a Desportiva Ferroviária (ES) em três jogos:
| Jogo | Data | Mandante | Placar | Visitante | Estádio |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | 18/07/1965 | Desportiva | 1×0 | Eletrovapo | Desportiva (Vitória/ES) |
| 2º | 25/07/1965 | Eletrovapo | 1×0 | Desportiva | Caio Martins (Niterói/RJ) |
| 3º | 01/08/1965 | Desportiva | 1×1 (pro) | Eletrovapo | Desportiva (Vitória/ES) |
Sem previsão de pênaltis, o árbitro Antônio Viug recorreu ao cara ou coroa. A sorte sorriu para a Desportiva. O Eletrovapo, invicto (1V, 1E, 1D), terminou em 18º lugar entre 22 clubes.
Foi um dos dois únicos clubes invictos da edição, ao lado do Santos de Pelé (campeão). Um feito extraordinário para um clube de empresa do interior fluminense.
Outras Campanhas de Destaque
- 1963: Profissionalização e primeiro título do Campeonato Niteroiense.
- 1966: Tricampeão Niteroiense.
- 1967: Vice-campeão Fluminense.
- 1969: Vice-campeão Fluminense.
- Década de 1970: Disputou campeonatos da FFERJ após a fusão (1975).
Linha do Tempo
Uniforme e Cores
As cores oficiais do Eletrovapo eram o azul e o branco (Alviceleste).
A Crise e a Extinção (1977)
A trajetória do Eletrovapo foi tão meteórica quanto breve. Já em 1965, o presidente Evaristo Paes da Fonseca renunciou, deixando o cargo para o vice João Baptista de Mello, "guardião de um cofre vazio". Uma campanha do jornal "O Fluminense" arrecadou fundos, e o prefeito Emílio Abaunahman doou 100 mil réis para a viagem ao Espírito Santo.
Nos anos seguintes, a crise se agravou. O modelo de clube-empresa, que havia sido sua força, tornou-se sua fragilidade: a dependência da Companhia Eletrovapo limitava a autonomia financeira. A fusão Guanabara-Rio (1975) também contribuiu. Em 1977, crises internas culminaram na extinção do clube, após apenas 20 anos.
Legado e Memória do Eletrovapo
A Associação Esportiva Eletrovapo é lembrada como um dos sete times "excluídos" do futebol nacional — lista que inclui Paulistano, São Paulo Railway, São Bento (SP), São Cristóvão, River do Piauí e Paysandu. Em janeiro de 2026, reportagens de "O Globo" e do site Crusoé resgataram sua história. O blog Verminosos por Futebol (Stéfano Salles), o Esporte Rio, o Futebol de Goyaz e a Wikipédia preservam sua memória.
O Eletrovapo permanece como símbolo de uma era romântica do futebol brasileiro, quando clubes de empresa podiam sonhar em disputar a elite nacional — e, às vezes, terminar invictos.
Resumo Final
A Associação Esportiva Eletrovapo ("Vapão", "Alvicelestes") foi fundada em 8 de dezembro de 1957 em Niterói/RJ por funcionários da Cia. Eletrovapo de Serviços Marítimos. Cores azul e branco. Profissionalizou-se em 1963 e conquistou o Campeonato Fluminense de 1964 (Supercampeonato sobre o Americano) e três títulos do Campeonato Niteroiense (1963, 1964, 1966).
Seu maior feito: Taça Brasil de 1965, onde terminou invicto (ao lado do Santos de Pelé) e foi eliminado pela Desportiva-ES no cara ou coroa. Elenco com Guilherme, Antoninho (goleiro elogiado por Lev Yashin), João Reis, Estêvão, Juvaldo e técnico Antônio Morais. Aprox. 250 jogos em 20 anos.
Vice-campeão fluminense em 1967 e 1969. Extinto em 1977. Em 2026, "O Globo" o lembrou como um dos sete clubes que sumiram do Brasileirão.
Referências e Bibliografia
- Wikipédia. Associação Esportiva Eletrovapo. pt.wikipedia.org
- Verminosos por Futebol. Eletrovapo: A história do time que foi eliminado da Taça Brasil no "cara ou coroa". verminososporfutebol.com.br
- O Globo. Do Brasileirão à extinção (27/01/2026). oglobo.globo.com
- Crusoé. Esses 7 times foram "excluídos" do futebol nacional (31/01/2026). crusoe.com.br
- Esporte Rio. AE Eletrovapo Campeã Estadual Fluminense de 1964. esporterio.blogspot.com
- História do Futebol. O Caso Eletrovapo em 1965. historiadofutebol.com/blog/?p=364
- Futebol de Goyaz. Eletrovapo-RJ (BRA). futeboldegoyaz.com.br
- O Gol. Eletrovapo - Brasil - Estatísticas. ogol.com.br
- VIANA, Eduardo. Implantação do futebol profissional no Estado do RJ.
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