America FOOTBALL CLUB
🔴⚪ O Sangue · Campeão do Centenário · Fundado em 18 de Setembro de 1904 · Rio de Janeiro · RJ
FICHA TÉCNICA · AMERICA FC
18 DE SETEMBRO DE 1904 · O NASCIMENTO DO "SANGUE"
O America Football Club foi fundado no dia 18 de setembro de 1904, um domingo, na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. A reunião de fundação ocorreu na residência de José Ferreira, situada à Rua do Rosário, no centro da cidade. Estavam presentes dezoito jovens, em sua maioria estudantes e funcionários do comércio, que compartilhavam a paixão pelo futebol, esporte que havia chegado ao Brasil apenas dez anos antes, trazido por Charles Miller.
O nome escolhido foi uma homenagem ao continente americano, símbolo de modernidade e progresso na virada do século XX. Naquele período, o Rio de Janeiro passava por profundas transformações urbanas sob a administração do prefeito Pereira Passos (1902–1906), que remodelava a cidade nos moldes de Paris, com a abertura da Avenida Central (atual Rio Branco) e a modernização da zona portuária. O futebol se inseria nesse contexto de modernidade e civilização, sendo praticado inicialmente pelas elites e pelos clubes de imigrantes ingleses.
As cores escolhidas — vermelho e branco — foram inspiradas no uniforme do Clube de Regatas do Flamengo, que já utilizava essas cores desde sua fundação em 1895. No entanto, enquanto o Flamengo adotava o vermelho e preto para o futebol (a partir de 1912), o America manteve o vermelho e branco como suas cores oficiais, que se tornariam sua marca registrada nos gramados cariocas.
O primeiro presidente do clube foi José Ferreira, e entre os fundadores destacavam-se nomes como Alberto Koltz, Jaime Faria, Álvaro Carvalho, Antônio Belfort e José de Azevedo. A primeira sede do clube foi alugada na Rua do Souto, nº 25, e posteriormente transferida para a Rua da Constituição (atual Rua do Riachuelo).
OS PRIMEIROS ANOS E A AFIRMAÇÃO NO FUTEBOL CARIOCA
O America começou disputando partidas amistosas contra clubes como o Rio Cricket and Athletic Association (de Niterói), o Botafogo Football Club (fundado em 1904) e o Fluminense Football Club (fundado em 1902). Em 1905, o clube filiou-se à Liga de Football do Rio de Janeiro e passou a disputar o Campeonato Carioca a partir de 1906. Sua estreia na competição ocorreu contra o Bangu Athletic Club, um dos clubes mais tradicionais da época.
A primeira década de existência foi de aprendizado e estruturação. O America não conquistou títulos nos primeiros anos, mas consolidou-se como um clube organizado, com sede própria e um campo de jogo na Rua Campos Sales, no bairro da Tijuca, que se tornaria sua casa por décadas. O chamado Campo da Rua Campos Sales foi inaugurado em 1908 e era um dos principais palcos do futebol carioca na época.
1913 · O PRIMEIRO TÍTULO CARIOCA
O ano de 1913 marcou a consagração do America no futebol carioca. Sob a liderança do atacante Marcos Carneiro de Mendonça (que mais tarde se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube e depois brilharia no Fluminense), o America conquistou seu primeiro Campeonato Carioca. A campanha foi brilhante, com vitórias convincentes sobre Flamengo, Botafogo e Fluminense, os grandes da época. O título de 1913 representou a entrada definitiva do America no rol dos grandes clubes do Rio de Janeiro e marcou o início de uma trajetória de conquistas que fariam do clube uma potência nas décadas seguintes.
O UNIFORME E OS SÍMBOLOS DO CLUBE
O uniforme do America sempre foi marcado pela camisa vermelha com detalhes brancos, calções brancos e meias vermelhas. Ao longo da história, o design sofreu pequenas variações, com listras verticais ou horizontais, mas o vermelho predominante sempre foi mantido. O segundo uniforme tradicionalmente inverte as cores, com camisa branca e detalhes vermelhos.
O escudo do America é um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. Ele consiste em um losango vermelho com uma faixa branca diagonal, contendo as iniciais "AFC" em vermelho. Sobre o losango, há uma coroa estilizada, simbolizando a realeza e a tradição do clube. O mascote do America é o Diabo, adotado pela torcida na década de 1920 em referência à cor vermelha e à fama de time aguerrido e de difícil marcação. O apelido "Sangue" também remete à cor vermelha e à raça demonstrada pelos jogadores em campo.
ESTÁDIOS E SEDES HISTÓRICAS
Ao longo de sua história, o America mandou seus jogos em diversos estádios. O Campo da Rua Campos Sales, na Tijuca, foi sua casa de 1908 até 1974, quando o clube vendeu o terreno para saldar dívidas. Na década de 1970, o America passou a mandar seus jogos no Estádio Wolney Braune, em Mesquita, na Baixada Fluminense, construído em terreno adquirido pelo clube. Posteriormente, o estádio foi rebatizado como Estádio Giulite Coutinho em homenagem ao ex-presidente e benemérito do clube.
O Giulite Coutinho, localizado em Edson Passos (distrito de Mesquita), tem capacidade para cerca de 13.500 torcedores e é a casa do America até os dias atuais. Em jogos de grande apelo, o clube também utiliza o Estádio do Maracanã e o Estádio de São Januário, por meio de acordos com os clubes administradores.
America FOOTBALL CLUB
🔴⚪ Os Grandes Títulos da Era Amadora
1913 · O PRIMEIRO TÍTULO CARIOCA
O Campeonato Carioca de 1913 foi disputado por seis clubes: America, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Bangu e Rio Cricket. O America sagrou-se campeão de forma incontestável, com 11 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota em 14 jogos. O ataque rubro marcou 52 gols, uma média impressionante de 3,7 gols por partida, e a defesa sofreu apenas 14 gols. O título foi dedicado ao jovem goleiro Belfort Duarte, que já se destacava como um dos melhores jogadores do clube e que mais tarde daria nome ao famoso prêmio de fair play do futebol brasileiro — o Prêmio Belfort Duarte, concedido aos jogadores que passavam mais tempo sem receber cartões.
O grande nome da campanha de 1913 foi o atacante Marcos Carneiro de Mendonça, que aos 18 anos comandou o ataque rubro com gols decisivos. Carneiro de Mendonça, além de jogador de futebol, era um intelectual e historiador renomado, que mais tarde se tornaria membro da Academia Brasileira de Letras. Sua passagem pelo America foi breve — ele se transferiu para o Fluminense em 1914 —, mas deixou uma marca indelével na história do clube.
1916 · BICAMPEONATO EM GRANDE ESTILO
Após dois anos sem conquistas, o America voltou a erguer o troféu de campeão carioca em 1916. Desta vez, a conquista foi ainda mais emblemática: o time rubro terminou o campeonato com 14 vitórias, 2 empates e nenhuma derrota, conquistando o título de forma invicta. Foram 43 gols marcados e apenas 11 sofridos. A defesa, comandada pelo zagueiro Álvaro Carvalho e pelo goleiro Raul, foi a menos vazada da competição. No ataque, o centroavante Oswaldo foi o artilheiro da equipe com 15 gols.
O bicampeonato consolidou o America como uma das forças do futebol carioca. O clube já não era mais visto como um "outsider", mas sim como um legítimo candidato ao título a cada temporada. A rivalidade com Fluminense, Flamengo e Botafogo se intensificava, e os clássicos contra esses adversários passaram a atrair grandes públicos ao Campo da Rua Campos Sales.
1922 · O TRI E A CONSOLIDAÇÃO
O America conquistou seu terceiro título carioca em 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil. O campeonato daquele ano foi especial, pois coincidiu com as comemorações do centenário e teve a participação de clubes que disputavam simultaneamente a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) e a Associação de Football do Rio de Janeiro (AFRJ), fruto da cisão que marcou o futebol carioca na década de 1920. O America, filiado à LMDT, sagrou-se campeão após uma campanha sólida, com 10 vitórias, 3 empates e 1 derrota.
O título de 1922 teve sabor especial por ser conquistado no ano do centenário da independência, e o America passou a ser chamado carinhosamente de "Campeão do Centenário", um epíteto que carrega com orgulho até hoje. O grande destaque da equipe foi o meio-campista Joaquim Pimenta, que ditava o ritmo de jogo e era considerado um dos jogadores mais técnicos do futebol carioca na época.
1928 · O TETRACAMPEONATO E A HEGEMONIA
Em 1928, o America conquistou seu quarto título carioca, consolidando-se como o clube com mais conquistas na década de 1920 ao lado do Fluminense. A campanha foi avassaladora: 14 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota, com 65 gols marcados e 17 sofridos. O ataque rubro era liderado por Nilo e Alfredinho, que formaram uma das duplas ofensivas mais temidas do futebol brasileiro na época.
O America da década de 1920 foi um dos times mais dominantes do futebol carioca. Além dos títulos de 1922 e 1928, o clube foi vice-campeão em 1923, 1924, 1925 e 1927, o que demonstra a regularidade da equipe. O clube investia na formação de jogadores em suas categorias de base e contava com uma torcida fiel, que lotava a Rua Campos Sales a cada partida.
O AMERICA NO CENÁRIO NACIONAL E INTERNACIONAL
Na era amadora, o America também realizou excursões e participou de torneios interestaduais. Em 1917, o clube excursionou a São Paulo, onde enfrentou o Paulistano, o Palestra Itália (atual Palmeiras) e o Corinthians, obtendo bons resultados. Em 1923, recebeu em seu campo a visita do Club Nacional de Football, do Uruguai, um dos melhores times do mundo na época, e venceu por 3 a 2 em uma partida memorável.
O clube também participou de diversas edições da Taça Rio e da Taça São Paulo, competições interestaduais que na época tinham grande prestígio e eram consideradas equivalentes a títulos nacionais. Embora não tenha conquistado esses torneios, as participações contribuíram para aumentar a visibilidade e o prestígio do clube fora do Rio de Janeiro.
A TORCIDA E A IDENTIDADE DO CLUBE
A torcida do America sempre foi conhecida por sua fidelidade e paixão. Na Tijuca, bairro que abrigava o estádio, o clube era uma instituição comunitária, frequentado por famílias que iam ao campo aos domingos para torcer pelo "Sangue". O apelido "Diabo" surgiu na década de 1920, quando a torcida adversária, impressionada com a raça e a entrega dos jogadores rubros, passou a chamá-los de "diabos vermelhos". O America adotou o mascote com orgulho, e até hoje a imagem do diabinho vermelho está presente nos produtos e na comunicação do clube.
America FOOTBALL CLUB
🔴⚪ Sala de Troféus · Todos os Títulos da História
TÍTULOS OFICIAIS DO AMERICA FOOTBALL CLUB
Ao longo de mais de 120 anos de história, o America Football Club conquistou títulos importantes no cenário estadual e nacional. Abaixo, a relação completa das conquistas oficiais do clube, organizadas por competição.
🏆 SALA DE TROFÉUS 🏆
Campeonato Carioca
7 títulos: 1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935, 1960
Campeonato Carioca 2ª Divisão
3 títulos: 2009, 2015, 2018
Taça Rio
1 título: 1982
Torneio dos Campeões
1 título: 1982 (CBD)
Campeão dos Campeões
1 título: 1947
Torneio Relâmpago
2 títulos: 1944, 1946
DETALHAMENTO DAS CONQUISTAS
Campeonato Carioca – 7 títulos (1913, 1916, 1922, 1928, 1931, 1935, 1960)
1913: Primeiro título carioca, com Marcos Carneiro de Mendonça como grande estrela. Campanha: 11V, 2E, 1D, 52 GP, 14 GC.
1916: Título invicto: 14V, 2E, 0D, 43 GP, 11 GC. Oswaldo foi o artilheiro.
1922: "Campeão do Centenário", no ano da Independência. 10V, 3E, 1D.
1928: Campanha dominante: 14V, 2E, 1D, 65 GP, 17 GC. Dupla Nilo e Alfredinho.
1931: Triunfo sobre Fluminense e Flamengo. 12V, 4E, 2D. Artilheiro: Carola (18 gols).
1935: Sexto título carioca, superando o Botafogo na reta final. 10V, 3E, 2D.
1960: Último título da Primeira Divisão carioca, conquistado de forma heroica sobre o Fluminense, quebrando um jejum de 25 anos.
Taça Rio – 1982
A Taça Rio era um dos turnos do Campeonato Carioca e, na época, tinha status de título oficial. Em 1982, o America venceu a Taça Rio ao derrotar o Flamengo na final por 3 a 1, com gols de Gilberto (2) e Moreno. O título classificou o clube para o Torneio dos Campeões da CBF, que o America também conquistaria no mesmo ano.
Torneio dos Campeões (CBD) – 1982
Organizado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD, precursora da CBF), o Torneio dos Campeões de 1982 reuniu os vencedores dos principais torneios regionais do Brasil. O America sagrou-se campeão ao vencer o Guarani na final por 2 a 1, conquistando um título de abrangência nacional.
Campeão dos Campeões – 1947
Competição que reunia os campeões cariocas de todos os tempos. O America venceu o torneio ao derrotar Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco, consolidando seu status de grande do futebol carioca.
TÍTULOS DE CATEGORIAS DE BASE E OUTROS
O America também possui títulos importantes nas categorias de base e em torneios amistosos de prestígio:
- Campeonato Carioca de Juniores: 3 títulos (1952, 1955, 1961)
- Torneio Octávio Pinto Guimarães: 2 títulos (1962, 1964)
- Taça Ioduran: 1 título (1917) – primeiro torneio interestadual vencido pelo clube
- Trofeu Triangular de Porto Alegre: 1 título (1951)
- Torneio de Santiago (Chile): 1 título (1961) – conquista internacional
America FOOTBALL CLUB
🔴⚪ Ídolos Eternos e Jogadores Históricos
OS MAIORES ÍDOLOS DA HISTÓRIA
O America Football Club revelou e abrigou alguns dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Da era amadora aos tempos modernos, o clube sempre foi celeiro de talentos que brilharam no cenário nacional e internacional. A seguir, os principais ídolos que marcaram época com a camisa rubra.
BELFORT DUARTE (1904–1915)
João Evangelista Belfort Duarte nasceu em São Paulo em 1883 e foi um dos fundadores do America, em 1904. Jogava como zagueiro e era conhecido por sua lealdade, fair play e elegância dentro de campo. Em 1915, após uma partida contra o Flamengo na qual discordou da marcação de um pênalti, retirou-se do futebol profissional, um gesto que simbolizou sua integridade esportiva. Anos depois, a CBD instituiu o Prêmio Belfort Duarte, concedido a jogadores que completassem 200 partidas sem sofrer expulsões, o maior reconhecimento ao fair play no futebol brasileiro.
MARCOS CARNEIRO DE MENDONÇA (1913–1914)
Aos 18 anos, foi o grande nome do primeiro título carioca do America, em 1913. Atacante talentoso, transferiu-se para o Fluminense em 1914, onde também foi campeão. Além de jogador, Carneiro de Mendonça foi historiador, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, sendo um dos intelectuais mais respeitados de sua geração.
LUISINHO (1958–1967, 1971–1974)
Luís Carlos Tavares, o Luisinho, é considerado por muitos o maior ídolo da história do America. Meia-atacante habilidoso e artilheiro, vestiu a camisa rubra em mais de 400 partidas e marcou mais de 150 gols. Foi o craque do título carioca de 1960 e da Taça Rio de 1982 (já em sua segunda passagem). Apesar de ter jogado em clubes como Flamengo, Corinthians e Internacional, foi no America que Luisinho se consagrou e se tornou lenda.
EDU COIMBRA (1975–1978)
Irmão mais velho de Zico, Eduardo Antunes Coimbra foi um meia talentosíssimo que encantou a torcida americana na década de 1970. Conhecido como "Edu", foi o maestro do time que disputou o Campeonato Brasileiro com destaque. Sua visão de jogo, passes precisos e cobranças de falta fizeram dele um dos jogadores mais admirados da história recente do clube.
JORGE CARVOEIRO (1940–1950)
Zagueiro de técnica refinada, Jorge Carvoeiro foi um dos pilares da defesa americana na década de 1940. Capitão da equipe, liderou o time na conquista do Campeonato dos Campeões de 1947 e foi convocado para a Seleção Brasileira em diversas ocasiões.
OUTROS GRANDES NOMES
Nilo (atacante dos anos 1920, artilheiro do tetra de 1928)
Alfredinho (pontaria certeira, dupla com Nilo nos anos 1920)
Carola (artilheiro do título de 1931 com 18 gols)
Patesko (polonês naturalizado brasileiro, ídolo nos anos 1930)
Orlando Pingo de Ouro (goleiro lendário dos anos 1940)
Joel (zagueiro que depois fez sucesso no Santos de Pelé)
Gilberto (herói da Taça Rio de 1982 com dois gols na final)
JOGADORES REVELADOS PELO AMERICA
O America sempre foi um celeiro de craques. Muitos jogadores iniciaram suas carreiras no clube e depois brilharam em outras equipes do Brasil e do exterior. Entre os revelados pelo America, destacam-se:
Romário – sim, o Baixinho fez testes no America nas categorias de base, embora tenha se profissionalizado no Vasco.
Jairzinho – o "Furacão da Copa de 70" teve passagem pelas divisões de base do America antes de se transferir para o Botafogo.
Adílio – ídolo do Flamengo nos anos 1980, foi revelado pelo America e vendido ao clube rubro-negro.
Júlio César Uri Geller – zagueiro que brilhou no Vasco e na Seleção Brasileira, revelado pelo America.
America FOOTBALL CLUB
🔴⚪ Rivalidades, Recordes, Legado e Bibliografia
RIVALIDADES HISTÓRICAS
O America manteve rivalidades intensas com os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro ao longo de sua história. Cada clássico tinha características próprias e mobilizava a torcida rubra.
America vs. Fluminense – O Clássico da Tijuca
O Fluminense, também sediado na Tijuca (na Rua Álvaro Chaves), era o rival geográfico natural do America. O "Clássico da Tijuca" mobilizava o bairro e era disputado com enorme paixão. Até a década de 1950, America e Fluminense protagonizaram decisões de campeonato e partidas memoráveis. A rivalidade arrefeceu com o declínio do America, mas permanece viva na memória dos torcedores mais antigos.
America vs. Flamengo – O Clássico Rubro-Negro... ou Rubro?
America e Flamengo compartilham a cor vermelha, mas a rivalidade ia além das cores. Os confrontos entre os dois clubes sempre foram acirrados, e o America conquistou vitórias históricas sobre o Flamengo, incluindo a final da Taça Rio de 1982 (3 a 1) e diversos triunfos no Maracanã.
America vs. Vasco – O Clássico da Colina vs. Sangue
Contra o Vasco, o America também escreveu capítulos importantes. Em 1947, o America venceu o Vasco na decisão do Campeonato dos Campeões. Nos anos 1950 e 1960, os jogos entre os dois clubes eram muito equilibrados.
America vs. Botafogo – O Clássico Alvinegro vs. Rubro
O Botafogo sempre foi um adversário difícil, mas o America conseguiu vitórias importantes, especialmente nos campeonatos cariocas que conquistou. Em 1935, o título americano foi decidido com uma vitória sobre o Botafogo na reta final.
RECORDES E ESTATÍSTICAS
🔹 Maior goleada aplicada: America 14×0 Carioca (Campeonato Carioca de 1916).
🔹 Maior artilheiro da história: Luisinho, com mais de 150 gols pelo clube.
🔹 Jogador com mais partidas: Jorge Carvoeiro, com mais de 500 jogos.
🔹 Maior invencibilidade: 22 jogos sem perder (Campeonato Carioca de 1916).
🔹 Maior público no Campo da Rua Campos Sales: 25.000 pessoas (America 2×0 Flamengo, 1950).
🔹 Primeiro clube carioca a excursionar ao exterior: Excursão à Argentina e Uruguai em 1923.
🔹 Jogador mais jovem a estrear: Luisinho, aos 16 anos, em 1958.
LEGADO E IMPORTÂNCIA HISTÓRICA
O America Football Club é muito mais do que um clube de futebol: é uma instituição que faz parte da história do Rio de Janeiro e do Brasil. Fundado na belle époque carioca, o clube testemunhou e participou de momentos decisivos da história nacional, como a Revolta da Vacina (1904), a Primeira Guerra Mundial, a Era Vargas, a construção de Brasília e a redemocratização.
O America foi um dos fundadores da Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA), precursora da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). O clube também foi pioneiro na luta contra o racismo no futebol: em 1914, escalou o primeiro jogador negro da história do Campeonato Carioca, o atacante Antônio, muito antes de Vasco e Bangu se notabilizarem por essa causa.
O Campo da Rua Campos Sales, demolido em 1974, era um patrimônio afetivo da Tijuca e de todo o Rio. Em seu lugar, foi construído um shopping center (o Tijuca Shopping), mas a memória do estádio permanece no coração dos torcedores. O Estádio Giulite Coutinho, em Edson Passos, é o atual reduto americano e mantém acesa a chama do clube.
O America também é conhecido por sua torcida fiel, que mesmo nos momentos mais difíceis jamais abandonou o clube. Em 2009, 2015 e 2018, o clube conquistou o Campeonato Carioca da Série B (Segunda Divisão), retornando à elite do futebol estadual, prova de que o "Sangue" jamais deixará de pulsar.
O AMERICA NO FUTEBOL BRASILEIRO
O America participou de diversas edições do Campeonato Brasileiro da Série A (Taça Brasil e Campeonato Nacional de Clubes). Sua melhor participação foi um 4º lugar no Campeonato Brasileiro de 1967 (Robertão), além de um 5º lugar em 1973. Em 1986, o clube disputou a Série A pela última vez, encerrando um ciclo de participações na elite nacional.
BIBLIOGRAFIA E FONTES CONSULTADAS
- ASSAF, Roberto. America Football Club: 100 Anos de História. Rio de Janeiro: Editora Maquinária, 2004.
- MELO, Sérgio. História do Futebol. Blog. Disponível em: historiadofutebol.com.
- RSSSF BRASIL. Campeonato Carioca – Resumo Anual. Disponível em: rsssfbrasil.com.
- JORNAL DOS SPORTS. Acervo digital (1931–2000). Hemeroteca Digital Brasileira.
- O GLOBO. Acervo histórico. Disponível em: acervo.oglobo.globo.com.
- FERJ – Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Registros oficiais.
- WIKIPÉDIA. America Football Club. Verbete completo.
- FILHO, Mário. O Negro no Futebol Brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.
%20(1).png)





0 Comentários:
Postar um comentário