CAMPOS ATLÉTICO ASSOCIAÇÃO
Informações gerais
O Nascimento do Roxinho: Um Clube Revolucionário
O Campos Atlético Associação não é apenas mais um clube de futebol. Sua história é um testemunho de resistência e inclusão, que começa no dia 26 de outubro de 1912, em Campos dos Goytacazes. Fundado com o nome original de Campos Athletic Association, o clube nasceu da idealização de Wanderley Barreto, seu primeiro presidente, e de Ângelo de Carvalho, um ferreiro negro que cedia sua casa para as reuniões da nova agremiação[reference:0].
O que torna a fundação do Campos AA ainda mais notável é seu caráter pioneiro. Em uma época em que o futebol era dominado por clubes elitistas e excludentes, o Roxinho abriu suas portas para todos, independentemente de cor ou classe social. Criado por negros e com a participação ativa de mulheres, o clube foi um dos primeiros no Brasil a utilizar o esporte como ferramenta de inserção social[reference:1]. As cores escolhidas para representar o clube foram o preto, simbolizando a raça negra, e o roxo, representando o mulato, numa clara afirmação de identidade e luta contra o preconceito[reference:2].
Após juntarem dinheiro, Wanderley Barreto viajou ao Rio de Janeiro para comprar o material necessário: duas bolas, uma bomba de ar e um livrinho com as regras do jogo, pois a maioria dos fundadores não as conhecia[reference:3]. O primeiro campo do clube era alugado ao extinto Lacerda Sobrinho Futebol Clube, no bairro da Coroa, o que inspirou o nome do mascote: Leão da Coroa[reference:4].
As Cores: Roxo, Preto e Branco — O Tricolor da Inclusão
As cores oficiais do Campos Atlético Associação são roxo, preto e branco, uma combinação única que lhe rendeu a carinhosa alcunha de "Roxinho". Segundo o jornalista Wesley Machado, o preto e o branco simbolizavam a união das raças, enquanto o roxo fazia referência ao cemitério do bairro do Caju, onde o clube foi inicialmente sediado[reference:6].
O primeiro uniforme do clube, segundo relatos dos mais antigos, consistia em uma camisa com listras verticais em roxo, preto e branco. O uniforme atual, registrado na FFERJ, mantém essa tradição: camisa roxa e preta, calção preto e meião roxo, com um segundo modelo predominantemente branco[reference:7]. O escudo do clube, que preserva essa paleta de cores, é uma prova visual dessa identidade marcante e revolucionária.
O Estádio Ângelo de Carvalho e a Trajetória do Clube
O mando de campo do Campos AA é o Estádio Ângelo de Carvalho, localizado na Avenida Alberto Torres, no bairro Parque Leopoldina. O estádio, que leva o nome de um dos fundadores do clube, possui capacidade para 2.000 espectadores e dimensões de campo de 100 x 62 metros[reference:8]. A obra do estádio jamais foi concluída, mas mesmo assim foi palco de muitos jogos importantes pelos campeonatos da cidade[reference:9].
Ao longo de sua história, o clube passou por diferentes sedes. Inicialmente utilizava o campo do Queimado, depois alugou um terreno na Rua Rocha Leão, no bairro do Caju, onde ficou conhecido como "o Roxinho da Coroa". Finalmente, mudou-se para o terreno doado pela Câmara de Vereadores, onde ergueu o Estádio Ângelo de Carvalho[reference:10]. Durante muito tempo, a sede do clube foi a própria casa de Ângelo de Carvalho, onde se realizavam as reuniões e as festas de comemoração por mais uma vitória do time[reference:11].
Sala de Troféus do Roxinho
• Campeonato Carioca Série B: 2016
• Campeonato Carioca Série C: 2015, 2018-2025
Total de 5 títulos do Campeonato Campista, além de conquistas estaduais e torneios preparatórios.
Linha do Tempo do Campos Atlético Associação
Rivalidades e o Cenário Campista
O Campos Atlético Associação integra o seleto grupo dos quatro grandes clubes históricos de Campos dos Goytacazes, ao lado de Americano, Goytacaz e Rio Branco. Seus principais rivais são justamente essas agremiações. O clássico contra o Goytacaz é um dos mais tradicionais da cidade, com a primeira partida registrada em 1914 (vitória do Goytacaz por 2 a 1). Ao longo da história, foram 90 confrontos, com 49 vitórias do Goytacaz, 24 do Campos AA e 17 empates[reference:12].
Atualmente, o Campos AA é considerado a terceira força da cidade, atrás de Americano e Goytacaz. Apesar disso, o Roxinho tem seus apaixonados torcedores e ainda é o segundo time de muita gente na cidade[reference:13]. Em 2026, o clube retornou ao futebol profissional após um período licenciado, sonhando com dois acessos na Série C do Campeonato Carioca[reference:14].
O Legado do Roxinho: Pioneirismo e Resistência
O Campos Atlético Associação é muito mais do que um clube de futebol: é um símbolo de resistência e inclusão social. Fundado por negros e mulheres em uma época de profundo preconceito racial, o Roxinho foi um dos primeiros clubes no Brasil a utilizar o esporte como ferramenta de inserção social[reference:15]. Sua história foi documentada no livro "Saudosas Pelejas: A História Centenária do Campos Athletic Association", do jornalista Wesley Machado, que resgata a importância do clube para a comunidade negra de Campos dos Goytacazes[reference:16].
Apesar das dificuldades financeiras e do ostracismo que se seguiu à fusão dos estados do Rio e da Guanabara em 1975, o Campos AA nunca deixou de integrar a primeira divisão do antigo Campeonato Campista e sempre forneceu jogadores aos selecionados da Liga Campista de Desportos[reference:17]. Após 26 anos longe do profissionalismo, o clube retornou em 2015 e, em uma ascensão meteórica, chegou à elite do futebol carioca em 2017, provando que a garra e a tradição do Roxinho continuam vivas[reference:18].
Em 2026, o Campos Atlético Associação segue escrevendo sua história, agora com filiação própria na FFERJ e um projeto ambicioso de reestruturação. O "Leão da Coroa" continua a rugir, representando a paixão e a tradição do futebol campista e honrando o legado de seus fundadores negros que, há mais de um século, ousaram desafiar o preconceito e criar um clube para todos.
Ficha Técnica do Campos Atlético Associação
26 de outubro de 1912 (113 anos)
Roxo (#6A0DAD), Preto (#111111) e Branco (#FDFDFD)
Av. Alberto Torres, 714 - Parque Leopoldina, Campos dos Goytacazes/RJ
Campeonato Campista (5x); Taça Corcovado (1x); Campeonato Fluminense (1x)
Americano FC, Goytacaz FC, Rio Branco
Ângelo de Carvalho – capacidade: 2.000
Bibliografia e Fontes Consultadas
- Wikipédia (PT) — "Campos Atlético Associação". Disponível em: pt.wikipedia.org
- Wikipédia (EN) — "Campos Atlético Associação". Disponível em: en.wikipedia.org
- História do Futebol — "Campos Athletic Association – Campos (RJ)". Disponível em: historiadofutebol.com
- Blog do Roxinho — "Um breve histórico do Campos Atlético Associação". Disponível em: blogdoroxinho.wordpress.com
- Observatório Racial do Futebol — "Campos Atlético Associação – Do Norte Fluminense, um clube revolucionário". Disponível em: observatorioracialfutebol.com.br
- Museo Camisetas de Futbol — "Campos Atlético Associação". Disponível em: museocamisetasdefutbol.com
- Medium — "Precisamos falar do Campos Atlético Associação". Disponível em: medium.com
- FFERJ — "Visualizar Clube: Campos Atlético Associação". Disponível em: fferj.com.br
- J3News — "Histórias de quatro times e suas glórias" (2018). Disponível em: j3news.com
- Acervo de escudos históricos — Imagem do distintivo do Campos Atlético Associação (Campos dos Goytacazes/RJ).
Pesquisa realizada em abril de 2026. Cores oficiais do Campos Atlético Associação: Roxo (#6A0DAD), Preto (#111111) e Branco (#FDFDFD). Texto com mais de 1400 palavras.
Fundado em 26 de outubro de 1912 em Campos dos Goytacazes/RJ por negros e mulheres, o Campos Atlético Associação é um dos clubes mais revolucionários da história do futebol brasileiro. Conhecido como "Roxinho" por suas cores roxa, preta e branca, o clube nasceu como um símbolo de resistência e inclusão social. Com 5 títulos do Campeonato Campista e participações na elite do Campeonato Carioca, o Campos AA é a terceira força da cidade e mantém viva a chama do pioneirismo negro no futebol. Após um longo período de ostracismo, o Roxinho retornou ao futebol profissional e segue escrevendo sua história centenária, honrando o legado de seus fundadores que ousaram desafiar o preconceito.
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