CENTRAL ATHLETICO CLUB
Informações gerais
Fundação e Origens: O "Club dos Ferroviários"
O Central Athletico Club foi fundado no dia 27 de novembro de 1917 por funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil, na região do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. O clube surgiu como um espaço de lazer e identidade para os trabalhadores ferroviários, que encontraram no futebol uma forma de integração e pertencimento.
O clube ficou conhecido como o "Club dos Ferroviários", um apelido que refletia diretamente sua origem e sua base de associados. Após um período inicial, o Central passou por uma reorganização em 12 de outubro de 1927, que deu novo impulso à agremiação e marcou o início de sua fase mais ativa no futebol carioca.
O Central teve uma trajetória marcada por constantes mudanças de sede, reflexo das dificuldades financeiras e estruturais enfrentadas pelos clubes suburbanos da época. Sua primeira sede ficava na Rua Archias Cordeiro, 157, no Méier (1921), mudando-se depois para o número 22 da mesma rua (1929). Em 1930, transferiu-se para a Rua D. Anna Nery, 426, próximo à Estação do Rocha, e posteriormente sua sede social passou para a Praça do Engenho Novo, nº 22, no bairro do Engenho Novo. Por fim, em 1937, estabeleceu-se na Rua Vinte e Quatro de Maio, 993, em Sampaio.
As Cores: Verde e Branco — O Alviverde dos Ferroviários
O Central Athletico Club adotou como cores oficiais o verde e o branco, sendo conhecido como o "alviverde" dos ferroviários.
O escudo do clube, preservado na imagem acima, exibe as iniciais "CAC" em um design clássico que reflete as cores oficiais da agremiação. O uniforme do Central provavelmente consistia em camisa com listras verticais verdes e brancas, calção branco e meias verdes — uma combinação que distinguia o clube entre as agremiações da Zona Norte carioca.
Engenho Novo e Méier: Os Bairros do Central
Engenho Novo é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, localizado na região do Grande Méier. O bairro desenvolveu-se a partir do desmembramento de antigas fazendas e engenhos, impulsionado pela expansão da malha ferroviária da Estrada de Ferro Central do Brasil no final do século XIX e início do século XX.
O bairro vizinho de Méier, onde o Central teve suas primeiras sedes, é um dos mais tradicionais da Zona Norte carioca. Seu nome homenageia Augusto Duque Estrada Meyer, um engenheiro que foi diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil e responsável pela expansão da ferrovia na região. A forte presença ferroviária no Méier e arredores explica por que o Central Athletico Club foi fundado por funcionários da ferrovia e por que o clube manteve uma identidade tão fortemente ligada aos trabalhadores dos trilhos.
O campo do Central ficava na Rua Adriano, nº 107 (posteriormente 153), em Todos os Santos, Zona Norte do Rio de Janeiro. O estádio, conhecido como campo da Rua Adriano, também foi utilizado por outros clubes suburbanos da época, como o Mackenzie, o Engenho de Dentro e o Metropolitano.
A região do Grande Méier, que engloba bairros como Méier, Engenho Novo, Sampaio, Cachambi, Todos os Santos e Piedade, foi um importante polo do futebol suburbano carioca, abrigando dezenas de clubes de várzea e amadores que contribuíram para a popularização do esporte no Rio de Janeiro.
Trajetória Esportiva: Da LMDT à AMEA
O Central Athletico Club disputou as competições organizadas pela Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT) entre 1929 e 1930. Neste período, a equipe centralense tinha como time-base: J. Julio; Fedóca e J. Augusto; Orlando, Jonas e Marcello; Coruja, Hernani, Edilson, Hamilton e Urbano. Os reservas eram Othelo, Áureo e Augusto.
Em 1931, o clube migrou para a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA), onde debutou no Campeonato Carioca da Segunda Divisão. A campanha de estreia não foi boa: o Central terminou na 16ª e última colocação.
Em 1932, mais adaptado, o clube fez uma campanha bem melhor e terminou em 4º lugar na Segunda Divisão. Em 1933, porém, não manteve o bom nível e amargou a 6ª colocação de sua chave.
Em 1934, o clube atravessou uma grave crise, chegando a sofrer uma intervenção. No ano seguinte, o Central retornou à Segundona, desta vez sob a administração da Federação Metropolitana de Desportos (FMD), mas sem muito sucesso.
Em março de 1929, o Central arrendou a sede e a praça de esportes do River Football Club, na Rua Jorge Rudge (antiga Rua Municipal), 59, na Piedade, por 500$000 (quinhentos mil-réis) mensais — um valor considerável para a época, demonstrando a ambição do clube em se estruturar.
O clube também manteve rivalidade com o Adélia Football Club, fundado em 1928 na Rua Adélia (atual Rua Sales Guimarães). Os confrontos entre Central e Adélia movimentavam o futebol suburbano da região.
Campanhas e Conquistas
Embora o Central Athletico Club não tenha conquistado títulos de grande expressão, sua trajetória é marcada por participações relevantes no cenário suburbano carioca:
- 1929–1930: Participação nas competições da Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT)
- 1931: Estreia no Campeonato Carioca da Segunda Divisão da AMEA (16º lugar)
- 1932: 4º lugar no Campeonato Carioca da Segunda Divisão — melhor campanha da história do clube
- 1933: 6º lugar em sua chave na Segunda Divisão
- 1934: Participação na Segunda Divisão, marcada por grave crise e intervenção
- 1938: Deixou a Federação Athletica Suburbana (FAS)
O Central também se destacou por revelar alguns talentos do futebol carioca. "Craques", como Gallego, chegaram a jogar a Segundona Carioca pelo clube. Após o fechamento do Central, alguns de seus jogadores e torcedores migraram para o Engenho de Dentro Atlético Clube (EDAC), incluindo o artilheiro Gradim, que continuou sua carreira no novo clube.
Linha do Tempo do Central Athletico Club
O Futebol dos Ferroviários e a Identidade Suburbana
O Central Athletico Club é um exemplo emblemático dos clubes formados por categorias profissionais específicas no início do século XX. Assim como o Jornal do Commercio Football Club (fundado por funcionários do jornal) e o Fundição Nacional Athletic Club (fundado por operários da fundição), o Central nasceu da comunidade ferroviária, refletindo a importância das ferrovias na vida social e econômica do Rio de Janeiro.
A Estrada de Ferro Central do Brasil era uma das maiores empregadoras da cidade, e seus funcionários formavam uma comunidade coesa, com forte identidade de classe. O futebol era uma das principais formas de lazer e sociabilidade para esses trabalhadores, e o Central Athletico Club cumpriu um papel fundamental como espaço de encontro, competição e afirmação identitária para os ferroviários e suas famílias.
O clube também representa a vibrante tradição futebolística do Grande Méier e arredores. Bairros como Méier, Engenho Novo, Sampaio, Piedade, Todos os Santos e Cachambi foram berços de dezenas de clubes amadores e de várzea, que competiam nas ligas suburbanas e alimentavam a paixão pelo futebol nas classes trabalhadoras da Zona Norte carioca.
Legado e Memória
Embora o Central Athletico Club tenha encerrado suas atividades futebolísticas no final da década de 1930, seu legado permanece como parte importante da história do futebol suburbano carioca e da memória dos trabalhadores ferroviários do Rio de Janeiro.
A existência do Central Athletico Club está documentada em registros históricos da LMDT, da AMEA e da FAS. O site "História do Futebol", mantido pelo pesquisador Sérgio Mello, dedicou páginas à memória do clube, resgatando do esquecimento sua fundação, suas cores, seus endereços, seu time-base e suas campanhas na Segunda Divisão. O escudo alviverde do clube foi preservado em acervos digitais, e uma foto rara do escudo de 1927 foi publicada no site.
O Central também deixou um legado material: o campo da Rua Adriano, que foi utilizado pelo clube e posteriormente por outras agremiações como o Mackenzie, o Engenho de Dentro e o Metropolitano, foi um importante espaço futebolístico para a região de Todos os Santos e arredores.
Após o fechamento do Central, alguns de seus jogadores e torcedores migraram para o Engenho de Dentro Atlético Clube (EDAC), incluindo o artilheiro Gradim, dando continuidade à tradição futebolística da região. O rival Adélia Football Club também manteve atividades até meados do século XX.
Hoje, o Central Athletico Club é lembrado por historiadores do futebol, colecionadores de escudos e pesquisadores da memória esportiva carioca. Sua história, embora modesta, é um testemunho da importância dos clubes de trabalhadores na popularização do futebol no Brasil e da rica tradição futebolística dos subúrbios cariocas.
Dados Complementares
27 de novembro de 1917
12 de outubro de 1927
após 1938 (fim das atividades futebolísticas)
Verde e Branco (Alviverde)
"Club dos Ferroviários"
Rua Adriano, nº 107 (depois 153) – Todos os Santos
Méier (Rua Archias Cordeiro, 157 e 22) · Rocha (Rua D. Anna Nery, 426) · Engenho Novo (Praça do Engenho Novo, 22) · Sampaio (Rua Vinte e Quatro de Maio, 993)
LMDT · AMEA · FMD · FAS
4º lugar na Segunda Divisão da AMEA (1932)
Adélia Football Club
Engenho de Dentro AC (herdou jogadores e torcedores)
Grande Méier – Zona Norte do Rio de Janeiro
Bibliografia e Fontes Consultadas
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Central Athletico Club – Rio de Janeiro (RJ): Fundado em 1917". Disponível em: https://historiadofutebol.com/blog/?p=68410
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Central Athletico Club – Engenho Novo (RJ): Anos 30". Disponível em: https://historiadofutebol.com/blog/?p=70694
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Club Athletico Central – Rio de Janeiro (RJ): Escudo de 1927". Disponível em: https://historiadofutebol.com/blog/?p=103099
- EMBAIXADA DO MEYER – "Central AC e Adélia FC". Disponível em: https://www.embaixadameyer.com/posts/central-ac-e-adélia-fc
- WIKIPÉDIA (EN) – "Engenho Novo". Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Engenho_Novo
- Jornais da época: Almanak Laemmert (RJ) – O Jornal – Correio da Manhã – A Manhã – Jornal dos Sports – Jornal A Noite (citados como fontes primárias).
- RSSSF Brasil – Base de dados de campeonatos cariocas.
- Estatuto do Clube – Documento original citado nas pesquisas.
- Acervo de escudos históricos – Imagem do distintivo do Central Athletico Club (Rio de Janeiro).
Pesquisa realizada em abril de 2026. Cores oficiais do Central Athletico Club: Verde (#1B5E20) e Branco (#FFFFFF) — o "Alviverde dos Ferroviários".
Fundado em 27 de novembro de 1917 por funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Central Athletico Club foi uma agremiação que adotou as cores verde e branco, sendo conhecido como o "Club dos Ferroviários" ou o "Alviverde dos Ferroviários". Reorganizado em 12 de outubro de 1927, o clube teve sedes no Méier, Rocha, Engenho Novo e Sampaio, e seu campo ficava na Rua Adriano, em Todos os Santos. Disputou as competições da LMDT (1929–1930) e da AMEA (1931–1934), tendo como melhor campanha o 4º lugar na Segunda Divisão em 1932. Enfrentou grave crise em 1934 e deixou a Federação Athletica Suburbana em 1938, encerrando suas atividades futebolísticas. Após seu fechamento, alguns de seus jogadores e torcedores migraram para o Engenho de Dentro AC. O Central Athletico Club permanece como um importante capítulo da história do futebol suburbano carioca e um testemunho da paixão dos trabalhadores ferroviários pelo esporte.
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