SYRIO E LIBANEZ A. C.
Informações gerais
Fundação e Origens: O Clube da Colônia Sírio-Libanesa
O Syrio e Libanez Athletico Club foi fundado em 1º de junho de 1921 no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. O clube surgiu da iniciativa de jovens imigrantes sírios e libaneses que faziam parte do "alto commercio syrio-libanez" da capital federal, numa demonstração de interesse patriótico e carinho pela colônia a que pertenciam.[reference:0]
A assembleia de fundação ocorreu na sede da Sociedade Beneficente União Beyrutense, gentilmente cedida por sua diretoria. O idealizador da fundação foi Khalil Zarzur, e o grande entusiasta que liderou o processo foi o Dr. Luiz Abi-Nader, que se tornou o primeiro presidente do clube.[reference:1]
Entre os fundadores estavam também Kamel Badin, Gabriel Chame, Elias Attian, Jorge Dadde, Wadih Taunile, Demétrio Caram, Elias A. Chulu, Abid Badim, Salim Riscalla e Christovam Cheade. A primeira diretoria foi composta por Wadih Taunile (Vice-Presidente), Nassim Khury (1° Secretário), Kamel Badin (2° Secretário), Diab Maluhy (1° Thesoureiro), Aziz Naccach (2° Thesoureiro) e Demétrio Caram (Procurador).[reference:2]
Inicialmente, o clube adotou o nome de Syrio Athletico Club. Em 19 de março de 1924, passou a se chamar Syrio e Libanez Athletico Club, refletindo de forma mais abrangente a união das comunidades síria e libanesa que lhe deram origem.[reference:3]
As Cores e o Uniforme: O "Cobra-Coral" da Tijuca
O Syrio e Libanez Athletico Club adotou como cores oficiais o vermelho, o preto e o branco. Esta combinação tricolor era exibida em um dos uniformes mais marcantes e exóticos da história do futebol carioca: o estilo "cobra-coral".
O uniforme era listrado na horizontal em vermelho e preto, separado por linhas brancas mais finas, lembrando o padrão de uma cobra-coral.[reference:5] Este design único conferiu ao clube o apelido de "Cobra-Coral" (além de "Tricolor da Tijuca"), tornando sua camisa uma das mais icônicas e lembradas entre os clubes extintos do Rio de Janeiro.[reference:6]
O escudo do clube, preservado na imagem acima, exibe as iniciais "S.L.A.C." (Syrio e Libanez Athletico Club) em um design clássico. A camisa do Syrio e Libanez foi posteriormente revivida em edições comemorativas, celebrando a memória deste clube tão singular.[reference:7]
Tijuca: O Bairro do Syrio e Libanez
Tijuca é um dos bairros mais tradicionais e populosos da Zona Norte do Rio de Janeiro. Conhecida por abrigar a Floresta da Tijuca e por sua vibrante vida cultural, a Tijuca foi berço de importantes clubes do futebol carioca, como o América Football Club (que teve sede inicial no bairro), o Tijuca Football Club, o Tijuca Atlético Clube e o próprio Syrio e Libanez Athletico Club.
A escolha da Tijuca como sede do clube refletia a forte presença da colônia sírio-libanesa na região, que se dedicava majoritariamente ao comércio. A Sociedade Beneficente União Beyrutense, onde o clube foi fundado, era um importante ponto de encontro da comunidade, promovendo a integração e a preservação da cultura dos imigrantes.
O Syrio e Libanez, no entanto, não possuía campo próprio. O clube mandava seus jogos em estádios de outras agremiações, como o campo do Sport Club Mackenzie (no Méier) e o campo da Rua Paissandu (do Flamengo).[reference:8][reference:9] Essa dependência de campos alheios foi um dos fatores que contribuíram para sua efêmera trajetória.
Trajetória Esportiva: Cinco Participações na Elite do Carioca
O Syrio e Libanez disputou a elite do Campeonato Carioca em cinco edições: 1925, 1926, 1928, 1929 e 1930.[reference:10] Ao longo dessas participações, o clube somou 60 pontos em 96 jogos, com 25 vitórias, 9 empates e 62 derrotas, marcando 153 gols e sofrendo 218.[reference:11]
Na temporada de estreia, em 1925, o clube terminou na 8ª colocação entre 10 equipes, com 8 pontos em 18 jogos (3 vitórias, 2 empates e 13 derrotas). O time-base daquele ano era formado por: Velloso; Rubens e Jaime (Rodrigues); Lemos, Rogério e Válter; Jocelino (Gentil), Rhodas, Celso, Ismael (Paduá) e Amphrísio.[reference:12]
Apesar do pouco tempo de existência, o Syrio e Libanez conseguiu vitórias sobre todos os grandes clubes do Rio de Janeiro. Os resultados mais expressivos incluíram triunfos sobre o América (3 a 2 e 1 a 0), Botafogo (5 a 3), Fluminense (3 a 1, 4 a 2 e 4 a 1), Bangu (3 a 2) e Vasco da Gama (1 a 0).[reference:13]
Em 1928, o clube enfrentou uma suspensão, mas recorreu e foi reintegrado ao campeonato já na segunda rodada.[reference:14]
A Goleada Histórica: Syrio e Libanez 6 x 1 Flamengo
O feito mais memorável da história do Syrio e Libanez Athletico Club ocorreu em sua última participação no Campeonato Carioca, em 20 de abril de 1930. Na ocasião, o "Cobra-Coral" aplicou uma sonora goleada de 6 a 1 sobre o Flamengo, um resultado que ecoa até hoje como uma das maiores zebras da história do futebol carioca.[reference:15]
Além deste resultado histórico, o Syrio e Libanez também derrotou o Flamengo em outras ocasiões: 3 a 2 em 16 de maio de 1926 e 3 a 0 em 4 de agosto de 1929.[reference:16] O clube, que representava a colônia sírio-libanesa, mostrou que podia competir de igual para igual com os gigantes do futebol carioca.
Gentil Cardoso e Leônidas da Silva: Os Nomes que Passaram pelo Clube
O Syrio e Libanez Athletico Club teve a honra de contar em suas fileiras com dois dos maiores nomes da história do futebol brasileiro:
- Gentil Cardoso – Um dos técnicos mais folclóricos e inovadores do futebol brasileiro. Começou sua carreira como treinador no Syrio e Libanez, onde permaneceu por um bom tempo. Foi no clube que Gentil começou a aplicar os conceitos que trouxe de uma viagem à Inglaterra, onde se encantou com o profissionalismo do futebol britânico. Foi também no Syrio e Libanez que Gentil implementou pela primeira vez no Brasil o sistema tático "WM".[reference:18][reference:19]
- Leônidas da Silva – O "Diamante Negro", considerado um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e inventor da "bicicleta". Leônidas jogou no Syrio e Libanez antes de se transferir para o Bonsucesso, seguindo Gentil Cardoso. Sua passagem pelo clube, embora breve, é um testemunho da qualidade do futebol praticado pelo "Cobra-Coral".[reference:20]
A presença de Gentil Cardoso e Leônidas da Silva no Syrio e Libanez demonstra que, mesmo com uma existência curta, o clube cumpriu um papel importante na história do futebol brasileiro, servindo como palco para o desenvolvimento de talentos que brilhariam nos maiores palcos do esporte.
O Fim do Clube: Punição por Falta de Campo Próprio
A trajetória do Syrio e Libanez Athletico Club foi interrompida de forma abrupta em 1930. O clube, que não possuía campo próprio e dependia da cessão de estádios de outras agremiações, sofreu punições da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) por este motivo.[reference:21]
Sem condições de arcar com as exigências e multas impostas, o clube encerrou suas atividades no mesmo ano de 1930, após apenas nove anos de existência.[reference:22] Sua última partida oficial foi justamente a histórica goleada de 6 a 1 sobre o Flamengo, em 20 de abril de 1930 — um canto do cisne memorável para o "Cobra-Coral" da Tijuca.
O Syrio e Libanez foi um dos 30 clubes que já disputaram a elite do Campeonato Carioca e não existem mais, sendo lembrado como um exemplo emblemático dos clubes de colônia que floresceram no Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
Linha do Tempo do Syrio e Libanez Athletico Club
Os Clubes de Colônia no Futebol Carioca
O Syrio e Libanez Athletico Club é um exemplo emblemático dos clubes de colônia que floresceram no Rio de Janeiro no início do século XX. Fundado por imigrantes sírios e libaneses, o clube representava o orgulho e a identidade de uma comunidade que buscava seu espaço na sociedade carioca.
Outros clubes de colônia que marcaram época no futebol carioca incluem a Associação Atlética Portuguesa (fundada em 1924), o Vasco da Gama (fundado pela colônia portuguesa em 1898), o Palmeiras Athletico Club (fundado por italianos?) e o Esporte Clube Sírio (de São Paulo, mas que também teve influência no cenário nacional).
O Syrio e Libanez destacou-se entre os clubes de colônia por sua rápida ascensão à elite do futebol carioca e por seus feitos memoráveis, como as vitórias sobre os grandes clubes e a goleada de 6 a 1 sobre o Flamengo. Sua história é um testemunho da contribuição das comunidades imigrantes para a construção do futebol brasileiro.
Legado e Memória
Embora o Syrio e Libanez Athletico Club tenha existido por apenas nove anos (1921–1930), seu legado permanece como parte importante da história do futebol carioca e da memória da colônia sírio-libanesa no Rio de Janeiro. O "Cobra-Coral" da Tijuca representa uma era em que os clubes de imigrantes floresciam e competiam de igual para igual com os gigantes do futebol carioca.
A existência do Syrio e Libanez está documentada em registros históricos da LMDT, em jornais da época (A Noite, Jornal do Brasil, O Jornal, Correio da Manhã), e em sites especializados como o "História do Futebol" (mantido pelo pesquisador Sérgio Mello), o "Campeões do Futebol" (Pedro Varanda), o "Futebol Nacional", o Museu do Futebol e a Wikipédia. O escudo do clube e seu uniforme "cobra-coral" foram preservados em acervos digitais e em edições comemorativas de camisas retrô.
Em 2023, o clube foi homenageado em um evento sobre clubes cariocas extintos realizado na Tijuca, organizado pelo professor Kléber Monteiro, autor da obra "Da Lama à Grama".[reference:23] A camisa do Syrio e Libanez foi uma das revividas no projeto, que reuniu fundos para a publicação de um livro sobre a história do Andaraí Atlético Clube.
A goleada de 6 a 1 sobre o Flamengo em 1930 permanece como um dos resultados mais surpreendentes da história do Campeonato Carioca, sendo lembrada até hoje como um feito heroico do pequeno clube da colônia sírio-libanesa. A passagem de Gentil Cardoso e Leônidas da Silva pelo clube também contribui para a perpetuação de sua memória.
Hoje, o Syrio e Libanez Athletico Club é lembrado por historiadores do futebol, colecionadores de escudos e pesquisadores da memória esportiva carioca. Sua história, com o uniforme "cobra-coral", as vitórias sobre os grandes clubes e a goleada sobre o Flamengo, é um capítulo fascinante e único da rica tapeçaria do futebol do Rio de Janeiro.
Dados Complementares
1º de junho de 1921 (104 anos)
1930 (9 anos de existência)
Vermelho, Preto e Branco
Listrado horizontal em vermelho e preto, separado por linhas brancas finas (estilo cobra-coral)
Tijuca – Rio de Janeiro/RJ
Não possuía campo próprio (utilizava campos de outros clubes)
Fundado por imigrantes sírios e libaneses na Sociedade Beneficente União Beyrutense
Khalil Zarzur
Dr. Luiz Abi-Nader
1925, 1926, 1928, 1929, 1930
96 jogos, 25 vitórias, 9 empates, 62 derrotas, 153 gols marcados, 218 sofridos
Vitória por 6 a 1 sobre o Flamengo (20/04/1930)
Leônidas da Silva, Gentil Cardoso
Syrio Athletico Club (1921–1924)
Revivida em 2023 no projeto de Kléber Monteiro
Zona Norte – Tijuca
Bibliografia e Fontes Consultadas
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Fotos Raras, de 1925 e 1930: Syrio e Libanez Athletico Club – Rio de Janeiro (RJ)". Disponível em: https://historiadofutebol.com/blog/?p=103322
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Inédito!! Syrio Athletico Club (Syrio e Libanez A.C.) – Rio de Janeiro (RJ): Disputou 5 edições do Campeonato Carioca, entre 1925 a 1930!". Disponível em: https://historiadofutebol.com/blog/?p=134800
- CAMPEÕES DO FUTEBOL (Pedro Varanda) – "Syrio e Libanez Athletico Club (RJ)". Disponível em: https://www.campeoesdofutebol.com.br/syrio_libanez_athletico_club_rj.html
- WIKIPÉDIA (EN) – "1928 Campeonato Carioca". Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/1928_Campeonato_Carioca
- WIKIPÉDIA (PT) – "Gentil Cardoso". Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gentil_Cardoso
- MUSEU DO FUTEBOL – "Syrio e Libanez Athletic Club". Disponível em: https://museudofutebol.org.br/crfb/instituicoes/682000
- TERRA – "Confira camisas de clubes extintos do futebol carioca". 23 de maio de 2023. Disponível em: https://www.terra.com.br/esportes/futebol/confira-camisas-de-clubes-extintos-do-futebol-carioca
- DIÁRIO DO RIO – "Saudosismo e nostalgia: Tijuca recebe evento sobre clubes cariocas extintos". 2 de junho de 2023. Disponível em: https://diariodorio.com/saudosismo-e-nostalgia-tijuca-recebe-evento-sobre-clubes-cariocas-extintos/
- FUTIBOLA – "Syrio Libanez 2 x 2 SC Brasil". Disponível em: https://futibola.com.br/partida/syrio-libanez-2-x-2-sc-brasil/
- O CURIOSO DO FUTEBOL – "Há 53 anos, falecia Gentil Cardoso, o homem que 'lançou' Mané Garrincha". 8 de setembro de 2023. Disponível em: https://www.ocuriosodofutebol.com.br/2023/09/ha-53-anos-falecia-gentil-cardoso-o.html
- Jornais da época: A Noite, Jornal do Brasil, O Jornal, Correio da Manhã, Gazeta de Notícias – citados como fontes primárias nas pesquisas.
- Acervo de escudos históricos – Imagem do distintivo do Syrio e Libanez Athletico Club (Rio de Janeiro).
Pesquisa realizada em abril de 2026. Cores oficiais do Syrio e Libanez Athletico Club: Vermelho (#C62828), Preto (#1A1A1A) e Branco (#FFFFFF) — o "Cobra-Coral" da Tijuca.
Fundado em 1º de junho de 1921 no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, o Syrio e Libanez Athletico Club (inicialmente Syrio Athletico Club) foi uma agremiação da colônia sírio-libanesa que adotou as cores vermelho, preto e branco. Seu uniforme, em estilo "cobra-coral" (listrado horizontal em vermelho e preto com finas linhas brancas), é um dos mais icônicos da história do futebol carioca. O idealizador foi Khalil Zarzur e o primeiro presidente o Dr. Luiz Abi-Nader. O clube disputou a elite do Campeonato Carioca em cinco edições (1925, 1926, 1928, 1929 e 1930), somando 25 vitórias em 96 jogos. Seu maior feito foi a goleada de 6 a 1 sobre o Flamengo em 20 de abril de 1930. Também venceu América, Botafogo, Fluminense, Bangu e Vasco. Não possuía campo próprio, o que levou à sua extinção em 1930. Contou com Leônidas da Silva como jogador e Gentil Cardoso como técnico (que implementou o sistema WM pela primeira vez no Brasil). Em 2023, sua camisa foi revivida em projeto de Kléber Monteiro. O Syrio e Libanez permanece como um dos mais fascinantes capítulos da história dos clubes de colônia no futebol carioca.
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