PALMEIRAS ATHLETICO CLUB
Informações gerais
Fundação e Origens no "Bairro Imperial"
O Palmeiras Athletico Club (também grafado como Palmeiras Atlético Clube ou Palmeiras Athletic Club) foi fundado no dia 23 de março de 1911 no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Acredita-se que o nome do clube tenha sido inspirado na Praia das Palmeiras, uma localidade que existia no bairro à frente da secular Igreja de São Cristóvão (área hoje ocupada pelo Pavilhão de São Cristóvão, onde se realiza a famosa Feira dos Nordestinos)[reference:0].
O clube foi fundado por um extenso grupo de desportistas da região, entre eles: Álvaro da Silva Cunha, Álvaro Cunha, Arlindo Cunha, Astrogildo Teixeira de Carvalho, Ázio Pinto de Oliveira, Claudionor Gonçalves da Silva ("Nonô"), Durval Senna Francici ("Dudu"), Florêncio da Silva Tatu, Godofredo Leite, João de Menezes Cantuária, João Torres da Silva, José Rollo, Ludgero Moura Bastos, Manfredo Segismundo Liberal, Manoel Christiano Rello, Octacílio Gonçalves da Silva, Oscar Rello de Araújo, Raulindo de Paula Bastos, Rubens Portocarrero e Sebastião Guimarães[reference:1][reference:2].
A sede do clube ficava inicialmente no bairro de São Cristóvão, mas a partir de 1923 mudou-se para a Rua Barão de Mesquita, 93 A, na Tijuca[reference:3].
As Cores: Do Alviverde ao "Cerúleo-Negro do Bairro Imperial"
O Palmeiras Athletico Club teve duas fases distintas em sua identidade visual. Entre 1911 e 1913, o clube utilizou as cores verde e branco, com uniforme listrado verticalmente nestas cores[reference:5][reference:6].
A grande transformação veio a partir de 22 de março de 1914, quando o clube passou a adotar o azul celeste e o preto como suas novas cores oficiais. Por conta desta combinação, a agremiação passou a ser conhecida pelo apelido de "Cerúleo-Negro do Bairro Imperial" — "cerúleo" em referência ao tom de azul celeste, e "Bairro Imperial" em alusão a São Cristóvão, que abrigou a residência da família real portuguesa na Quinta da Boa Vista[reference:7][reference:8].
O uniforme do Palmeiras na fase azul e preta consistia em camisa com listras horizontais azuis e pretas, calções e meias pretas[reference:9]. O clube possuía um campo próprio na Quinta da Boa Vista para treinos e amistosos de menor expressão, mas para os jogos oficiais utilizava o campo do São Cristóvão Futebol Clube, entre outros[reference:10].
São conhecidos pelo menos quatro escudos diferentes do Palmeiras Athletico Club. O primeiro deles foi o alviverde, da fase inicial. Posteriormente, surgiram versões com a bola "negranil" (preta e azul), outra com bola de couro tradicional e um formato mais moderno sem a bola. A ordem exata de utilização destes escudos, no entanto, se perdeu com o tempo[reference:11].
São Cristóvão: O "Bairro Imperial" do Rio de Janeiro
São Cristóvão é um dos bairros mais históricos e emblemáticos do Rio de Janeiro. Seu povoamento lusitano começou com a fundação da Igreja de São Cristóvão em 1627, então localizada à beira-mar, onde os pescadores amarravam suas embarcações[reference:12].
O bairro ganhou enorme importância a partir de 1810, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil. O príncipe-regente Dom João VI escolheu a Quinta da Boa Vista como residência oficial, transformando São Cristóvão no "Bairro Imperial" da cidade. A Quinta abrigou posteriormente o Museu Nacional e permanece como um dos principais espaços históricos do Rio de Janeiro[reference:13].
No contexto esportivo, São Cristóvão foi berço de importantes clubes do futebol carioca, incluindo o São Cristóvão de Futebol e Regatas (fundado em 1909) e o próprio Palmeiras Athletico Club. O bairro também abrigava o Campo da Quinta da Boa Vista, onde o Palmeiras realizava seus treinos e alguns amistosos[reference:14].
A Praia das Palmeiras, que inspirou o nome do clube, era uma localidade no bairro à frente da Igreja de São Cristóvão. Esta área foi posteriormente aterrada e hoje abriga o Pavilhão de São Cristóvão, onde se realiza a tradicional Feira dos Nordestinos — um dos maiores centros de cultura nordestina fora do Nordeste brasileiro[reference:15].
Conquistas e Campanhas Memoráveis
O Palmeiras Athletico Club construiu uma trajetória respeitável no futebol carioca, conquistando títulos importantes nas divisões inferiores e chegando a competir na elite estadual. Seus principais feitos incluem[reference:16]:
- Campeão Carioca da Terceira Divisão: 1915 – título conquistado nos primeiros e nos segundos quadros[reference:17]
- Campeão Carioca de 2°s quadros da Terceira Divisão: 1915
- Tricampeão Carioca de 2°s quadros da Segunda Divisão: 1917, 1918 e 1919
- Campeão Carioca da Segunda Divisão: 1919 – feito inédito: conquistou o título nos primeiros, segundos e terceiros quadros no mesmo ano[reference:18]
- Campeão do Torneio Início da Primeira Divisão: 1921 – considerado o maior título da história do clube[reference:19]
O Palmeiras também participou de duas edições da primeira divisão do Campeonato Carioca organizado pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT): 1920 e 1924[reference:20]. Nestas competições, enfrentou os grandes clubes do Rio de Janeiro, incluindo America, Botafogo, Bangu, Fluminense, Flamengo e São Cristóvão[reference:21].
Junto com o Andaraí A.C. e o Carioca F.C., o Palmeiras permanece como recordista de títulos na categoria de segundos quadros da Segunda Divisão do Campeonato Carioca[reference:22].
A Temporada de 1920: Na Elite do Futebol Carioca
A participação do Palmeiras no Campeonato Carioca de 1920, sua estreia na elite, foi marcada por confrontos contra os gigantes da época. Os resultados completos da campanha foram[reference:24]:
- Palmeiras 3 x 6 America
- Palmeiras 0 x 5 Botafogo
- Palmeiras 2 x 1 Bangu
- Palmeiras 1 x 7 Fluminense
- Palmeiras 2 x 3 Villa Isabel
- Palmeiras 1 x 2 Mangueira
- Palmeiras 2 x 4 São Cristóvão
- Palmeiras 2 x 3 Andarahy
- Palmeiras 0 x 5 Flamengo
- Palmeiras 1 x 6 Botafogo
- Palmeiras 3 x 7 Bangu
- Palmeiras 0 x 3 America
- Palmeiras 2 x 1 Mangueira
- Palmeiras 0 x 4 São Cristóvão
Vida Social e Outras Modalidades Esportivas
Além do futebol, o Palmeiras Athletico Club mantinha uma vida social intensa. O ano de 1918 foi o mais ativo do clube neste aspecto, com muitas festas e bailes para os associados. Nesta mesma época, o Palmeiras também incentivou a prática do atletismo, organizando corridas de rua e competindo em competições oficiais da modalidade[reference:25].
O clube representava um importante espaço de sociabilidade para a comunidade de São Cristóvão e da Tijuca, funcionando como ponto de encontro para os moradores da região e promovendo não apenas o esporte, mas também a integração social e cultural de seus associados.
Linha do Tempo do Palmeiras Athletico Club
Declínio e Extinção
Após uma campanha desastrosa no Campeonato Carioca de 1924, o Palmeiras Athletico Club silenciosamente caminhou para o seu fim. Desde o ano anterior, o clube já havia deixado o bairro de São Cristóvão e estabelecido sua sede na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca[reference:36].
A partir de 1925, o Palmeiras já não disputou mais competições oficiais, embora documentos da época mostrem que ainda ocorriam reuniões em sua sede. Em 1926, porém, os últimos registros do clube revelam um abandono total por parte de seus associados e atletas, que migraram para outras agremiações. O Palmeiras Athletico Club encerrou definitivamente suas atividades, juntando-se à extensa lista de clubes cariocas que desapareceram ao longo do século XX[reference:37].
O clube é um dos 30 clubes que já disputaram a elite do Campeonato Carioca e não existem mais, sendo lembrado como um exemplo emblemático do rico ecossistema do futebol suburbano carioca que floresceu nas primeiras décadas do século XX e que, por diversos motivos, se extinguiu com o passar dos anos[reference:38].
Legado e Memória
Embora o Palmeiras Athletico Club tenha sido extinto há quase um século, seu legado permanece como parte importante da história do futebol carioca. O clube representa uma era em que dezenas de pequenas agremiações surgiam nos bairros do Rio de Janeiro, cada uma representando sua comunidade e alimentando a paixão pelo futebol.
A existência do Palmeiras Athletico Club está documentada em registros históricos da LMDT, em jornais da época (como Correio da Manhã, O Imparcial, Jornal do Brasil, A Imprensa, A Época), e em trabalhos de pesquisadores como Sérgio Mello (do site "História do Futebol") e Pedro Varanda (do site "Campeões do Futebol"). O livro "Histórico do Palmeiras Atlético Clube no Futebol Carioca 1914–1924" resgata a memória do clube, apresentando fichas técnicas de quase todos os seus jogos oficiais[reference:39].
O professor e escritor Kléber Monteiro, autor de "Da Lama à Grama", também contribuiu para a preservação da memória do clube ao relançar a camisa do extinto Palmeiras de São Cristóvão, permitindo que colecionadores e apaixonados pelo futebol antigo possam ter em mãos um pedaço desta história[reference:40].
O Estádio Figueira de Melo, onde o Palmeiras mandava seus jogos, foi posteriormente rebatizado como Estádio Ronaldo Nazário em homenagem ao ex-jogador Ronaldo "Fenômeno", que iniciou sua carreira nas categorias de base do São Cristóvão. O estádio permanece ativo e é um dos marcos históricos do futebol carioca[reference:41].
Hoje, o Palmeiras Athletico Club é lembrado por historiadores do futebol, colecionadores de escudos e pesquisadores da memória esportiva carioca. Sua história, com a curiosa mudança de cores do alviverde para o "cerúleo-negro" e seus feitos nas divisões inferiores, contribui para a compreensão da diversidade e da riqueza do futebol do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX.
Dados Complementares
23 de março de 1911[reference:42]
1926 (últimos registros)[reference:43]
Verde e Branco[reference:44]
Azul Celeste e Preto ("Cerúleo-Negro")[reference:45]
São Cristóvão – Rio de Janeiro/RJ[reference:46]
Rua Barão de Mesquita, 93 A – Tijuca[reference:47]
Figueira de Melo (atual Ronaldo Nazário)[reference:48]
2ª Divisão (1919) · Torneio Início (1921)[reference:49]
Campeonato Carioca 1920 e 1924 (LMDT)[reference:50]
São Cristóvão – Rio de Janeiro/RJ
Bibliografia e Fontes Consultadas
- WIKIPÉDIA – "Palmeiras Atlético Clube". Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Palmeiras_Atlético_Clube[reference:51]
- ESPORTE RIO – "Palmeiras Athletico Clube". Disponível em: https://esporterio.blogspot.com/p/palmeiras-athletico-clube.html[reference:52]
- ESPORTE RIO – "Os Escudos do Palmeiras AC". Disponível em: https://esporterio.blogspot.com/2025/09/escudos-palmeiras-athletico-clube.html[reference:53]
- CAMPEÕES DO FUTEBOL (Pedro Varanda) – "Palmeiras Athletico Club (RJ)". Disponível em: https://www.campeoesdofutebol.com.br/palmeiras_athletico_club_rj.html[reference:54]
- MUSEU DA PELADA – "PALMEIRAS DE SÃO CRISTÓVÃO: MAIS UM MANTO SAGRADO REVIVIDO". Disponível em: https://www.museudapelada.com/resenha-palmeiras-de-sao-cristovao/[reference:55]
- MUSEU DO FUTEBOL – "Palmeiras Athletic Club". Disponível em: https://museudofutebol.org.br/crfb/instituicoes/681904[reference:56]
- O GLOBO – "Futebol, carnaval e escola de samba: as histórias dos clubes extintos do Carioca". Disponível em: https://oglobo.globo.com/esportes/...clubes-extintos-do-carioca[reference:57]
- WIKIPÉDIA – "São Cristóvão (bairro do Rio de Janeiro)". Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Cristóvão_(bairro_do_Rio_de_Janeiro)[reference:58]
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Palmeiras Athletico Club, de São Cristóvão – Rio de Janeiro (RJ): Bandeira de 1921".[reference:59]
- HISTÓRIA DO FUTEBOL (Sérgio Mello) – "Fotos Raras: Palmeiras A.C., de São Cristóvão Campeão Carioca da 2ª Divisão de 1919".[reference:60]
- Livro "Histórico do Palmeiras Atlético Clube no Futebol Carioca 1914 – 1924" – Resgate da memória do clube com fichas técnicas de quase todos os jogos oficiais[reference:61].
- Jornais da época: Correio da Manhã, O Imparcial, Jornal do Brasil, A Imprensa, A Época, Revista Sport Ilustrado, Revista Vida Sportiva – citados como fontes primárias nas pesquisas.
- Acervo de escudos históricos – Três imagens do distintivo do Palmeiras Athletico Club (Rio de Janeiro) preservadas no Google Blogger.
Pesquisa realizada em abril de 2026. Cores oficiais do Palmeiras Athletico Club: Azul Celeste (#5B9BD5) e Preto (#1A1A1A) – o "Cerúleo-Negro do Bairro Imperial". Cores iniciais (1911–1913): Verde e Branco.
Fundado em 23 de março de 1911 no bairro de São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, o Palmeiras Athletico Club teve seu nome inspirado na Praia das Palmeiras, localidade que existia à frente da Igreja de São Cristóvão. Inicialmente adotou as cores verde e branco (1911–1913) e, a partir de 1914, passou a usar o azul celeste e o preto, sendo conhecido como "Cerúleo-Negro do Bairro Imperial". O clube conquistou a Terceira Divisão em 1915, foi tricampeão de segundos quadros da Segunda Divisão (1917–1919), e alcançou seu maior feito ao vencer a Segunda Divisão em 1919 nos primeiros, segundos e terceiros quadros — um feito inédito. Em 1921, sagrou-se campeão do Torneio Início da Primeira Divisão. Participou da elite do Campeonato Carioca em 1920 e 1924 pela LMDT, enfrentando os grandes clubes do Rio de Janeiro. Após campanha desastrosa em 1924, o clube entrou em declínio, mudou sua sede para a Tijuca e teve seus últimos registros em 1926, quando foi abandonado por associados e atletas. O Palmeiras Athletico Club permanece como um dos 30 clubes que já disputaram a elite do Carioca e foram extintos, sendo lembrado por historiadores e colecionadores como um importante capítulo da história do futebol suburbano carioca.
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